Analista russo: Putin infiltra, seduz e desvirtua reações conservadoras no Ocidente

“O líder do Kremlin entendeu que não pode enfrentar o Ocidente no plano econômico ou militar”, afirma o comentarista russo Andrey Malgin (foto). “Mas poderia fazê-lo e até vencê-lo usando técnicas cuja inspiração vem do judô, que Putin gosta e pratica. Estas consistem em redirecionar a força e o equilíbrio do oponente contra ele próprio”. A notícias é da agência Euromaidanpress.

Os líderes de Ocidente poderiam então cair, não pelo poder da Rússia, mas por movimentos que desencadearam dentro de seus próprios países infiltrados ou desviados por “inocentes úteis” seduzidos por Putin.

Tratar-se-ia de manipular esses movimentos, como faz o judoca com o adversário: controlá-lo, desequilibrá-lo e vencê-lo com o mínimo de esforço.

A ideia é bem clara para quem conhece o judô. Mas o que significa isso em termos de confrontação política, econômica e militar entre o Oriente e o Ocidente?

Andrey Malgin explica: os líderes de Ocidente adotaram agendas que ofendem valores de grandes setores da opinião pública de seus países. Agindo assim desencadearam reações contra si próprios.

O caso do Brexit vem logo à mente: a União Europeia contrariava há décadas os sentimentos de inúmeros ingleses, em aras de uma utópica República Universal que viria após uma não menos utópica Federação Europeia do Atlântico até os Urais. Num belo dia 23 de junho os ingleses disseram: “basta!”. E toda a UE entrou em convulsão.

A agenda LGBT, incluindo a “ideologia de gênero”, também está sendo imposta a contragosto dos sentimentos de enormes correntes de pensamento e de estilos de vida cristãos e naturais.

Não espanta, pois, que provoquem contrarreações, como as da ‘Manif Pour Tous’ na França, ou de seus equivalentes nos EUA, na Itália, na Espanha e no Brasil, para citarmos apenas alguns casos.

O que espanta é que os promotores de todas essas agendas – metafisicamente igualitaristas e visceralmente anticristãs – não só não arredam diante das resistências, mas as atropelam sem a menor consideração.

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Putin recebeu ao respeitável empresário tradicionalista francês Philippe de Villiers e lhe acenou imensos negócios até agora não concretizados.
Prosseguindo nessa estrada, ditas agendas e seus promotores, hoje instalados na maioria dos governos ocidentais, estão cavando a própria fossa.

Seria o momento de, por exemplo, o clero católico – incluídos bispos, cardeais e evidentemente o próprio Papa – tomassem a iniciativa da restauração dos valores da Civilização Cristã, da moral católica em toda a sua plenitude e autenticidade. E que nisso fossem secundados pelas elites sociais nascidas sob o bafejo da própria Igreja.

Mas infelizmente não é o que está acontecendo, sobretudo no chamado “período pós-conciliar”.

O resultado é a abertura de uma crescente brecha, que adquire por vezes dimensões abissais, entre as lideranças demolidoras e imensas correntes de opinião que não querem essa marcha aloucada rumo ao precipício.

O PT e seus “hermanos” bolivarianos, por exemplo, estão pagando as consequências desse modo de proceder.

As rachaduras entrementes dividem as nações, deixando-as à mercê de algum poder exterior que queira aumentá-las com intenções escusas, talvez imperiais.

“Divide et impera” (“Divide e reina”) era o ditado dos grandes conquistadores como Júlio César, Alexandre Magno ou Napoleão.

Vladimir Putin sabe dessas fendas e tentaria exacerbar sentimentos ofendidos pelas agendas anticristãs estimulando contra elas os descontentes que elas geram.

Isso não quer dizer que ele acredite ou pratique os valores, ou partilhe os sentimentos ofendidos. Por exemplo, a democracia, a liberdade de expressão e reunião. Poderíamos acrescentar os valores da vida, da família ou do catolicismo.

Porém, como astuto político, Putin achou um meio de rachar os países que anelaria submeter.

Por isso, Malgin adverte que os agentes de Putin estão agindo no sentido do Divide et impera, “qualquer que seja o tema, de esquerda, de centro ou de direita, com a finalidade de obter o resultado mais destrutivo possível. E com esse fim ele montará sua propaganda voltada para os países ocidentais”.

Malgin exemplifica, com a TV Russia Today (RT), uma das mídias orientadas pelo Kremlin para essa tarefa.

Ela é útil para Putin espalhar suas palavras de ordem entre os setores conservadores, ainda que sejam “falsificações tipo Lubianka”.

Kirill Martynov, editor de política do jornal “Novaya Gazeta”, de Moscou, explica por que Putin está sendo tão bem-sucedido com essa tática.

A “Novaya Gazeta” é um jornal oposicionista que teve seis de seus melhores jornalistas assassinados enquanto estudavam aspectos obscuros do governo Putin.

Putin, diz Martynov, entendeu o que as mídias convencionais e os propulsores dessas agendas revolucionárias parecem não ter percebido: a generalização da internet permitiu que simples populares – outrora sem recursos para se manifestar – hoje podem fazê-lo quase gratuitamente.

E o estão fazendo e descobrindo que muitos outros pensam como eles. Essa conscientização da força do conservadorismo foi permitindo a articulação dos descontentes.

As redes sociais, como Twitter, WhatsApp, Facebook e outras, facilitam muito a aglutinação dessas tendências novas que desconfiam do macrocapitalismo publicitário.

“É possível”, acrescenta Martynov, “que a principal coisa que a Internet ensina às pessoas é a desconfiança em suas próprias elites”.

Mas essas massas desconfiadas e sem líderes autênticos podem ser manipuladas por oportunistas.

E, na política, hoje “oportunista” se traduz muitas vezes por “populista”. Aliás, esse fenômeno existiu inclusive nas eras sem Internet, provocando grandes mudanças históricas.

Putin sabe disso e o está explorando, tentando seduzir e ludibriar ingênuos muitas vezes bem intencionados.


http://flagelorusso.blogspot.com/

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